Livro "Olhares" reúne memória, sabores e afetos em celebração às mulheres pantaneiras da Nhecolândia (MS)
Encontro entre leitores, amigos e mulheres pantaneiras celebrou obra dedicada à memória feminina no Pantanal de MS
Arquivo pessoal - Gabriela Bacchi
A chuva caía do lado de fora do salão de festas. Em torno da mesa, porém, a tarde fria de Campo Grande (MS) seguia entre conversas, reencontros, sabores e lembranças. Para Gabriela Bacchi, autora de Olhares: histórias de mulheres pantaneiras da Nhecolândia, a confraternização realizada com as participantes do livro, amigos e leitores materializou uma imagem que desejava desde que começou a pensar no encontro: pessoas reunidas como em uma fazenda, compartilhando a mesa e celebrando histórias de vida. “Apesar da chuva, a casa ficou lotada. E estava repleta de sentimentos, de alegria, lágrimas e risadas. Eu queria muito que todos ficassem ao redor da mesa, saboreando a comida, conversando, convivendo e confraternizando. Acredito que conseguimos fazer daquele momento uma celebração da vida dessas mulheres”, conta a escritora. O encontro prolongou uma narrativa iniciada nas páginas de Olhares. O livro recupera experiências de mulheres ligadas à região da Nhecolândia e coloca a memória oral no centro do relato, registrando vivências relacionadas ao trabalho, à família, aos costumes e às transformações enfrentadas por diferentes gerações no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Ao reunir essas vozes, Gabriela desloca para o primeiro plano personagens que ajudaram a construir o cotidiano e a cultura pantaneira. Suas histórias particulares formam, em conjunto, um registro de experiências femininas e de práticas transmitidas ao longo do tempo. Convidados destacam memória cultural registrada pelo livro Para Giselle Silva Lima, funcionária pública aposentada e professora de Yoga, a perspectiva feminina adotada pela obra ajuda o leitor a compreender dimensões do Pantanal que nem sempre ocupam espaço nos registros tradicionais. “Descrever o Pantanal a partir do olhar da mulher que vive nesse lugar nos dá a oportunidade de entender um pouco de como suas vidas têm acontecido ao longo de tanto tempo e com tantos desafios”, observa. A convidada entende que as narrativas também ajudam a reconhecer a participação das trabalhadoras rurais na preservação da cultura local, na vida econômica e nas relações sociais das comunidades. O médico acupunturista e escritor João Francisco Santos da Silva conta que o primeiro convite veio da própria capa. Ao começar a folhear o livro, percebeu que havia iniciado uma viagem conduzida pelas mulheres cujas histórias compõem a obra. “Por meio de seus olhares e de sua generosidade, elas foram me contando suas histórias e experiências integradas ao Pantanal”, relata. João Francisco destaca ainda o trabalho de pesquisa realizado por Gabriela e a escolha pela história oral como forma de registrar memórias individuais e coletivas sem perder a simplicidade da narrativa. O mesmo reconhecimento aparece no depoimento do professor Eronides de Jesus Biscola, conhecido como Eron. Ele explica que conhecer as lutas, dificuldades e alegrias dessas mulheres também ajuda a compreender a formação cultural da região e a participação das famílias que construíram sua trajetória no Pantanal. “A obra certamente nos levará a refletir sobre o Pantanal com novos olhares”, resume. Professora e escritora, Maria Clara Silva de Rezende Valle encontrou nas páginas e na confraternização uma ligação direta com as próprias memórias. “Foi um encontro que evocou memórias e emoções, trazendo a beleza e o sabor do Pantanal”, recorda. Segundo ela, as histórias narradas no livro, somadas à música, à convivência entre amigos e aos alimentos servidos naquela tarde, criaram uma atmosfera capaz de transportá-la à infância. O gastrônomo Paulo Roberto Nogueira Filho encontrou justamente na simplicidade um dos elementos mais marcantes da obra. Durante a leitura, diz ter sido conduzido a um Pantanal distante de representações idealizadas e aproximado do cotidiano das mulheres que trabalharam, formaram famílias e preservaram lembranças naquele território. “Muitas vezes a gente olha para uma vida simples e pensa que ali não tem tanta coisa para contar. Mas tem, sim. Muita história, lembranças e situações que merecem ser guardadas”, afirma. Para Paulo, a escritora transformou as experiências em registro de um legado cultural construído também pela vida cotidiana. Sabores também contam histórias do Pantanal A memória evocada pelo livro ganhou forma também à mesa. Gabriela conta que a proposta apresentada ao bufê era levar para a confraternização elementos da identidade pantaneira. A responsável pelo serviço pesquisou a culinária regional e incorporou ao cardápio preparos como João Sujo, mingau de bocaiuva e Francisquito. “A mesa estava muito ligada à identidade pantaneira. Eu levei essa ideia e a Joyce contribuiu com muita sabedoria. Foi atrás, estudou e se inteirou da culinária", relata Gabriela. Para Paulo Roberto, gastrônomo, a escolha reforçou um aspecto presente também no livro: cultura não se preserva apenas pelos grandes acontecimentos, mas igualmente pelos hábitos cotidianos, pelas receitas, pelo convívio e pelos conhecimentos que passam de uma geração a outra. Entre os sabores servidos, o mingau de bocaiuva provocou uma lembrança imediata em Maria Clara. “Destaque especial para o mingau de bocaiuva, lembrança de minha avó”, conta. O alimento transformou-se, naquele momento, em uma ponte entre a experiência narrada pelas mulheres de Olhares e as memórias pessoais de quem participava do encontro. Assim, entre páginas, conversas e sabores, a confraternização retomou o movimento que deu origem ao próprio livro: olhar para histórias aparentemente cotidianas e reconhecer nelas um patrimônio de experiências que merece ser registrado e compartilhado. Sobre Olhares Olhares: histórias de mulheres pantaneiras da Nhecolândia, de Gabriela Bacchi de Araújo Guimarães, reúne narrativas de 26 mulheres ligadas ao Pantanal da Nhecolândia (em Mato Grosso do Sul) e registra memórias, experiências e aspectos da cultura regional a partir da perspectiva feminina. Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. 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Aline de Oliveira Silva
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FONTE: Assessoria de Imprensa - Aline Oliveira