Outubro Rosa: avanço no tratamento e diagnóstico precoce transformam o enfrentamento ao câncer de mama

Mastologista explica como desmistificar a doença e aumentar as chances de cura por meio do rastreamento constante a partir dos 40 anos

Por BERNARDO BRUNO
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A campanha do Outubro Rosa busca mobilizar a sociedade para a importância do cuidado integral com a saúde das mamas. O período representa uma oportunidade para desmistificar tabus e esclarecer dúvidas frequentes sobre prevenção, rastreio e terapias relacionadas ao câncer de mama. Segundo a Dra. Livia Casa Monteiro Velasco, mastologista do Hospital São José, a informação qualificada é a principal ferramenta para transformar o receio em atitude preventiva.

“As mamas são formadas por estruturas minúsculas, que são as células. A dada altura, alguma destas células pode sofrer uma transformação: ou alteração por mutação, ou o organismo pode produzir uma célula que já apresenta essa mutação genética. Na maioria das vezes em que isso acontece, o nosso corpo possui mecanismos de defesa para combater estas células diferentes. Quando essa defesa não atua de forma correta, desenvolve-se então o câncer de mama”, explica a Dra. Livia.

Por isso, um exame como a mamografia é fundamental, já que consegue identificar essas alterações genéticas antes mesmo de um câncer grave realmente se desenvolver. A mamografia pode detectar, por exemplo, nódulos nas mamas antes que eles possam ser sentidos pelo toque. Para a população feminina em geral, portanto, a mastologista recomenda a realização do exame anual da mamografia a partir dos 40 anos. Há situações, entretanto, em que a vigilância precisa começar mais cedo: “Pacientes com mutações genéticas hereditárias ou história familiar importante têm a mamografia antecipada”, completa a médica.

Já o autoexame pelo toque das mamas, apesar de importante, pode representar um diagnóstico já tardio do câncer. O verdadeiro diagnóstico precoce busca identificar lesões impalpáveis e milimétricas, estágio em que a probabilidade de cura é máxima e a necessidade de procedimentos invasivos diminui significativamente.

“Falamos em autoexame quando a paciente sente alguma coisa na mama. Quando ela percebe, geralmente já sente algo maior do que 1,5 cm. Então, falando em diagnóstico precoce, o autoexame não é o melhor exame, porque ele já acha lesões grandes. O melhor exame continua sendo a mamografia, porque ela detecta antes de ser palpável”, afirma a Dra. Livia Velasco. No entanto, o autoexame se mantém importante para mulheres abaixo dos 40 anos, que ainda não realizam mamografia, ou em pacientes que realizam mamografia anual, mas percebem alguma modificação atípica.

Métodos complementares de imagem

Embora a mamografia seja o padrão de referência, outras ferramentas diagnósticas cumprem papéis específicos:

  • Ultrassonografia mamária: empregada rotineiramente para complementar os achados da mamografia;
  • Ressonância magnética: indicada em quadros selecionados, como alto risco genético, avaliação de pacientes com próteses de silicone ou acompanhamento de cirurgias mamárias prévias;
  • Tomossíntese (mamografia 3D): indicada principalmente para mamas densas.

O maior divisor de águas na mastologia contemporânea, no entanto, está na personalização do cuidado. Se antes o tratamento começava já pela cirurgia, hoje esses procedimentos são cada vez menores, menos invasivos e podem, até mesmo, ser um último recurso. A depender do tipo de tumor, começa-se primeiro com terapêutica farmacológica e só depois os médicos passam a considerar a cirurgia. Isso se deve a tratamentos cada vez mais específicos e individualizados para o tipo e subtipo tumoral de cada mulher. Segundo a Dra. Livia Velasco, essas inovações elevam em muito as probabilidades de cura.

A chave, no entanto, é ainda a prevenção e o diagnóstico precoce. Para a especialista, é fundamental transformar o ditado popular que desestimula o rastreamento: "O principal receio ainda é aquela frase clássica de que 'quem procura, acha'. Eu acho que essa frase deveria ser mudada para: 'quem procura, acha na fase de ficar curada’”, conclui a mastologista do Hospital São José.


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BERNARDO DE QUADROS BRUNO
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