Da universidade ao campo: nanotecnologia busca transformar pesquisa em inovação para o agronegócio

Para a química Kátia Coelho, aproximar universidades, centros de pesquisa e empresas é fundamental para ampliar a chegada de novas tecnologias ao setor agrícola

Por MAGDA BUENO
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Arquivo Pessoal - Divulgação

O Brasil possui pesquisadores e laboratórios especializados em nanotecnologia, mas ainda enfrenta o desafio de transformar parte desse conhecimento em soluções comerciais para o agronegócio. Para a química Kátia Coelho, responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento da NanoFruit, aproximar universidades e empresas é fundamental para que mais tecnologias deixem os laboratórios e cheguem ao campo.
“Pouca coisa está chegando na indústria e está escalando no sentido comercial. Precisa haver uma parceria mais sólida entre as universidades e as indústrias para que a gente tenha a utilização da tecnologia de uma forma mais ampla”, afirma.
A nanotecnologia trabalha com partículas entre 1 e 100 nanômetros. Segundo Kátia, o objetivo não é necessariamente criar novas moléculas, mas identificar como substâncias já conhecidas podem apresentar novas propriedades quando transformadas em nanopartículas.
No agronegócio, esse conhecimento vem sendo aplicado no desenvolvimento de novas soluções para o uso de nutrientes e insumos agrícolas. A NanoFruit vem ampliando sua atuação no setor com o desenvolvimento de nanofertilizantes, uma das frentes que conectam a pesquisa em nanotecnologia às demandas do campo.
Mas transformar uma pesquisa em produto exige diferentes etapas de desenvolvimento e testes. Um dos principais desafios, segundo a especialista, é garantir que as nanopartículas mantenham suas características dentro da formulação ao longo do período de validade.
“O principal desafio quando a gente desenvolve um produto em nanotecnologia não é nem chegar no tamanho nano, mas é manter esse tamanho nano”, explica.
A empresa também trabalha no desenvolvimento de soluções sob demanda, a partir de necessidades apresentadas pelo mercado. Atualmente, possui um portfólio de 18 nanominerais com aplicações em segmentos como agronegócio, alimentos, nutrição animal, indústria e cosméticos.
Para Kátia, a expansão da nanotecnologia no agronegócio depende da capacidade de aproximar cada vez mais ciência, indústria e produtor, transformando pesquisas em soluções capazes de atender aos desafios da agricultura brasileira.

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