Comprou uma blusinha? O imposto já foi direto para o governo: Especialista explica como o Split Payment muda o fluxo de caixa de quem vende

Novo modelo de recolhimento da Reforma Tributária começa a ser testado em 2026 e terá impacto direto na gestão financeira de varejistas, e-commerces e marketplaces a partir de 2027

Por PLM GAMA
5 Min

Gerada por IA
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Imagine comprar uma blusa de R$100 no cartão, Pix ou boleto. Hoje, a empresa recebe o valor integral da venda e só depois calcula e recolhe os tributos. Com o Split Payment, isso muda: parte do valor da venda será separada automaticamente no momento da liquidação e direcionada ao Fisco. 

Em uma compra hipotética de R$100 com carga tributária de 28%,$28 iriam automaticamente para o pagamento de IBS e CBS, e apenas R$72 chegariam ao caixa do vendedor. Para o consumidor, a experiência de compra muda pouco. Para as empresas, porém, a mudança pode transformar a forma de administrar fluxo de caixa, recebimentos e sistemas financeiros.

O mecanismo está em fase de testes e integração, e seu cronograma definitivo de implementação ainda está em definição, após a previsão inicial de entrada em operação em janeiro de 2027.

Previsto na Emenda Constitucional 132/2023, o Split Payment tem como base as regras estabelecidas pela Lei Complementar 214/2025, que trata do mecanismo de segregação e recolhimento dos novos tributos. A Lei Complementar 227/2026 trouxe ajustes e complementações às regras, incluindo procedimentos relacionados à devolução de valores e ao modelo simplificado. Na prática, o mecanismo fará com que instituições e arranjos de pagamento participem do recolhimento dos novos tributos, segregando a parcela de IBS e CBS já na liquidação financeira.

Para Suzanne Fernandes, Coordenadora de Serviços da Invent Software — empresa especializada em soluções complementares aos ERPs para gestão fiscal, financeira, contratual, de RH, inteligência de dados e comércio exterior —, a principal mudança não está apenas na forma de recolher os impostos, mas na necessidade de reorganizar a gestão do dinheiro que entra no caixa.

"Hoje, muitas empresas trabalham com o valor bruto da venda disponível em conta e fazem a gestão dos tributos depois. Com o Split Payment, o valor líquido estará disponível de forma mais imediata, o que exige uma mudança na lógica financeira e na forma como a empresa projeta seu fluxo de caixa", explica Suzanne.

Menos dinheiro em caixa exige novo planejamento

O impacto tende a ser maior para empresas com grande volume de transações e margens apertadas, como os varejistas, e-commerces, marketplaces e negócios com vendas recorrentes por meios eletrônicos. Isso porque o valor correspondente aos tributos deixa de ficar temporariamente disponível no caixa da empresa até o momento do recolhimento.

Uma empresa que fatura R$1 milhão, por exemplo, não poderá mais considerar esse valor integralmente disponível para financiar operações, pagar fornecedores ou reforçar capital de giro. As áreas financeiras precisarão trabalhar com mais precisão sobre receita líquida, capital de giro, prazo médio de recebimento e necessidade de caixa.

"O desafio não é simplesmente pagar o imposto antes. É mudar a forma como a empresa enxerga o próprio dinheiro. O planejamento financeiro precisará considerar, desde o início, quanto efetivamente ficará disponível após a segregação dos tributos", complementa Suzanne.

Tecnologia em papel central

O Split Payment depende da integração entre ERP, documentos fiscais eletrônicos, sistemas financeiros, instituições de pagamento e ambiente fiscal, pois a venda deixa de ser um evento isolado entre consumidor e empresa. Erros de integração podem gerar divergências entre o valor vendido, o imposto calculado e o valor efetivamente recebido, tornando a automação e qualidade de dados essenciais para a transição.

2026: ano de testes: A implementação já começou a ser estruturada em 2026, com a Receita Federal e o CGIBS publicando o Manual de Integração da Plataforma Pública de Split Payment. A fase de testes utiliza uma alíquota simbólica de 1% para validar a integração entre meios de pagamento, documentos fiscais e sistemas do Fisco antes da implementação efetiva do mecanismo.

"A preparação não deve começar apenas quando o modelo estiver valendo. O período de testes é justamente uma oportunidade para as empresas entenderem como o Split Payment vai afetar seus processos, validarem integrações e ajustarem seus sistemas de gestão", afirma Suzanne.

Sobre a Invent Software: A Invent Software é líder no desenvolvimento de softwares complementares aos ERPs para gestão fiscal, financeira, contratos, RH, inteligência de dados e comércio exterior. Mais de 3 mil clientes movimentam R$350 bilhões por ano, o equivalente a quase 3% do PIB brasileiro. Sua missão é transformar complexidade em simplicidade , integrando processos, reduzindo custos operacionais e impulsionando resultados sustentáveis para os negócios. Saiba mais em: inventsoftware.com.br.


 

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PAMELA CRISTINA ALVES DA SILVA GAMA
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