Pesquisa mostra que participação social é caminho para transformar a Saúde, mas adesão e efetividade ainda são baixas

Apenas 64% dos entrevistados afirmam já ter utilizado algum espaço de participação coletiva

Por SONIA DINIZ
4 Min

divulgação/ TJCC

A participação da sociedade nas decisões sobre políticas públicas de saúde já é reconhecida, mas ainda existe uma distância importante entre acreditar no seu potencial e efetivamente ocupar os espaços disponíveis. É o que mostra uma pesquisa realizada pelo Movimento Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC) com mais de 200 participantes, divulgada na abertura da 13ª edição do Congresso Todos Juntos Contra o Câncer, em São Paulo.
Segundo o levantamento, 89% dos participantes acreditam que a participação da sociedade pode fazer diferença para melhorar a saúde pública e transformar a realidade das pessoas. Outros 10% consideram que ela pode contribuir, mas apenas em parte. Apenas 1% não soube opinar ou afirmou não acreditar que a participação social faça diferença.
Quando perguntados sobre a própria experiência, no entanto, os números mostram uma diferença importante. 64% afirmaram já ter participado ou utilizado algum espaço de participação social, enquanto 35% nunca participaram e 1% declarou não saber do que se tratava.
A diferença entre os dois resultados chama atenção. Enquanto a grande maioria dos entrevistados reconhece o potencial da participação social para transformar a saúde, pouco mais da metade já teve, de fato, alguma experiência de participação na construção das políticas públicas.
Entre os participantes que nunca utilizaram mecanismos de participação social, 86% ainda assim acreditam que essa participação é efetiva e pode contribuir para mudar a saúde. No entanto, não há clareza sobre a forma que influenciam nas decisões públicas.
Os dados mostram a existência de um voto de confiança expressivo da sociedade na participação social, mas também apontam para a necessidade de ampliar o conhecimento e a capacidade de atuação da população nesses espaços.
“A participação social é um direito e também uma ferramenta para qualificar as políticas públicas. Mas, para que ela seja efetiva, as pessoas precisam conhecer os espaços existentes, entender como eles funcionam e ter condições de participar de forma qualificada”, afirma a médica sanitarista Catherine Moura, CEO da Abrale – Associação Brasileira de Câncer do Sangue e líder do Movimento TJCC.
A discussão sobre participação social em saúde coloca em pauta justamente o papel da sociedade na construção, no acompanhamento e no aprimoramento do cuidado.
A participação social está prevista na Constituição Federal e integra a própria estrutura das políticas públicas de saúde no Brasil. Conselhos, conferências e outros mecanismos de participação permitem que diferentes segmentos da sociedade apresentem demandas, acompanhem decisões e contribuam para a formulação e avaliação das políticas.
Os resultados da pesquisa reforçam uma mensagem central do Congresso. As pessoas querem ser ouvidas e acreditam que podem contribuir para melhorar a saúde, e ampliar o acesso à informação e aos caminhos de participação pode fazer com que mais cidadãos façam parte dessas decisões.  

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FONTE: https://congresso.tjcc.com.br/