Opinião: O que aprendi ao construir uma carreira entre comunicação, negócios e tecnologia

Por DINA FREITAS
5 Min

Opinião: O que aprendi ao construir uma carreira entre comunicação, negócios e tecnologia
Ana Lanuci Chaves - Foto: Divulgação

Por Ana Lanuci Chaves – Especialista em Gestão de Projetos de TI e Desenvolvimento de negócios
 

Durante muito tempo, acreditei que carreira era sinônimo de especialização, que o caminho seria escolher uma área, aprofundar os conhecimentos e construir uma trajetória dentro dela. Mas a minha própria história acabou me mostrando o contrário.

Sou jornalista de formação, mas minha carreira passou por operações comerciais e financeiras, desenvolvimento de negócios, gestão de franquias, tecnologia, contratos, projetos, produtos digitais e, mais recentemente, inteligência artificial. Hoje, atuo como gerente sênior de desenvolvimento de negócios e Product Owner e também invisto em formação em automação de processos com IA.

Quando olho para trás, percebo que essas experiências não são tão distantes quanto parecem. Existe um fio condutor: a capacidade de conectar pessoas, processos, tecnologia e objetivos de negócio.

É justamente esse profissional híbrido que acredito que o mercado está começando a valorizar cada vez mais e os números mostram isso cada vez mais. 

O Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, estima que 39% das competências atualmente utilizadas pelos trabalhadores deverão ser transformadas ou ficar desatualizadas até 2030. O relatório também aponta inteligência artificial, big data e alfabetização tecnológica entre as habilidades que mais crescem, ao mesmo tempo em que pensamento analítico, criatividade, resiliência, flexibilidade e liderança permanecem fundamentais.

Para mim, a mensagem é clara: não estamos diante de uma escolha entre tecnologia e competências humanas. Precisamos das duas.Foi exatamente essa combinação que encontrei em diferentes momentos da minha carreira.

Minha formação em jornalismo me ensinou a ouvir, investigar, organizar informações e fazer perguntas. Mais tarde, essas habilidades se tornaram importantes na gestão de projetos, na negociação com clientes, na liderança de equipes e na tradução de necessidades de negócio para profissionais técnicos.

Hoje percebo que uma das minhas principais competências profissionais é justamente traduzir: transformar uma necessidade complexa em uma estratégia compreensível e, depois, em uma execução possível.

Tenho acompanhado de perto como a inteligência artificial está alterando a rotina das empresas. E uma das conclusões a que cheguei é que aprender uma ferramenta é apenas o começo.

O Work Trend Index 2025, da Microsoft e do LinkedIn, mostra que 83% dos líderes entrevistados acreditam que a IA permitirá que profissionais assumam trabalhos mais complexos e estratégicos mais cedo em suas carreiras. O mesmo levantamento aponta que 82% dos líderes consideravam 2025 um momento decisivo para repensar aspectos importantes de estratégia e operações.

Isso muda a pergunta que precisamos fazer. Não é apenas “qual ferramenta de IA devo aprender?” e sim “qual problema consigo resolver melhor porque sei usar essa tecnologia?”. Essa diferença é enorme.

Não precisamos abandonar nossa profissão, um jornalista não precisa virar programador. Um gestor não precisa se tornar cientista de dados. Um profissional de marketing não precisa construir modelos de inteligência artificial Mas todos nós precisamos compreender como as novas tecnologias podem ampliar aquilo que já fazemos bem.

O levantamento Skills on the Rise 2025, do LinkedIn, reforça essa percepção. No Brasil, alfabetização em IA aparece como a habilidade que mais cresce, seguida por comunicação e pensamento estratégico. Globalmente, o LinkedIn estima que cerca de 70% das competências utilizadas na maioria dos empregos mudarão até 2030.Para mim, esse dado mostra que o caminho não é abandonar a especialidade, mas ampliar o repertório.

Minha formação em jornalismo continua presente na maneira como conduzo projetos. Minha experiência em negócios influencia minhas decisões. Minha atuação em tecnologia amplia minha capacidade de compreender soluções. E agora a inteligência artificial acrescenta uma nova camada a esse conjunto.

Hoje, acredito que uma das maiores vantagens profissionais está na capacidade de conectar conhecimentos.

O profissional híbrido não precisa saber fazer tudo. Precisa saber como diferentes conhecimentos podem trabalhar juntos para resolver um problema.

Diante desse cenário, minha aposta não está em tentar prever exatamente qual será a próxima profissão. Está em desenvolver a capacidade de aprender continuamente. Porque, no fim, talvez o profissional mais preparado para o futuro não seja aquele que conhece todas as respostas.


Notícia distribuída pela saladanoticia.com.br. A Plataforma e Veículo não são responsáveis pelo conteúdo publicado, estes são assumidos pelo Autor(a):
DINA CLEISE DE FREITAS
[email protected]


Notícias Relacionadas »