Os mercados de feijão-preto e feijão-carioca iniciaram a semana apresentando direções opostas nas negociações. Enquanto a busca acentuada por grãos de melhor qualidade garante a sustentação dos preços do preto, a postura mais cautelosa adotada pelos compradores exerce pressão de baixa sobre as cotações do carioca.
De acordo com levantamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), o mercado de feijão-carioca continua marcado por uma alta seletividade. Nas negociações, a atenção dos compradores volta-se rigorosamente para critérios técnicos, como a variedade, a granulometria e o teor de umidade dos grãos.
Do lado da oferta, produtores e empacotadores têm recorrido a flexibilidades pontuais para destravar negócios, mas ainda mantêm resistência a reduções expressivas nas tabelas de preços. Essa relutância é justificada, sobretudo, pela qualidade heterogênea dos lotes disponíveis e pelos custos envolvidos na retenção do produto.
Em contrapartida, o feijão-preto encontra na exigência por padrão superior um escudo contra desvalorizações. Grãos bem selecionados, com melhor aspecto visual e sanitário, mantêm a liquidez firme e garantem a valorização da variedade.
Essa rigidez na escolha de ingredientes de qualidade é o que garante o sucesso de pratos tradicionais da culinária brasileira, onde o cuidado desde a escolha do grão até o fogão faz toda a diferença — como mostra o passo a passo da feijoada com costelinha e calabresa que ganha sabor no ponto certo do cozimento, receita que aposta justamente na harmonia dos insumos para encorpar o caldo.
Para os próximos dias, a tendência é de que o mercado siga altamente criterioso. Apenas os lotes que apresentarem excelente padrão comercial e atenderem às exigências específicas de cada variedade conseguirão negociar patamares firmes de preço.
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VAGNER LIBERATO MORINI
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