Em meio aos desafios logísticos impostos pelas dimensões do Amazonas, o Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM) amplia, nas Eleições 2026, o uso de tecnologia de comunicação via satélite, para agilizar a transmissão dos resultados de votação em comunidades remotas do estado.
A iniciativa prevê a utilização de 420 antenas Starlink Mini em locais de difícil acesso, permitindo que os dados gerados após o encerramento da votação sejam transmitidos com maior velocidade e segurança. A medida busca reduzir o tempo de deslocamento das equipes e contribuir para a agilidade da totalização dos votos no Amazonas.
A novidade representa uma evolução em relação à tecnologia utilizada anteriormente pelo Tribunal. A Starlink é responsável por uma constelação de satélites em órbita terrestre baixa (LEO, na sigla em inglês), o que permite reduzir a latência e aumentar a velocidade de transmissão.
A adoção da nova tecnologia também representa economia para o Tribunal. A adesão ao contrato firmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a empresa Hughes para o fornecimento da solução de comunicação via satélite permitiu que o custo ficasse aproximadamente 65% do valor desembolsado na eleição anterior, representando uma redução de 35% nas despesas.
Além da adesão ao contrato do TSE para o fornecimento das antenas, a execução conta com o apoio vital do Ministério da Defesa e o aproveitamento estratégico de notebooks do estoque próprio do tribunal.
“Essa iniciativa reforça o compromisso da Justiça Eleitoral de garantir que a distância geográfica não seja um obstáculo ao exercício da cidadania. Estamos levando tecnologia e segurança a comunidades que, muitas vezes, só podem ser alcançadas depois de horas de navegação pelos rios”, afirma a presidente do TRE-AM, desembargadora Carla Reis.
De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação (STI) do TRE-AM, Kleber Merklein, a transmissão por satélite não altera os mecanismos de segurança dos arquivos produzidos pelas urnas eletrônicas. “A conexão via satélite funciona como meio de transporte desses dados blindados. O processo pode ser comparado a um ‘túnel seguro sob um pântano’: o conteúdo viaja isolado e protegido de qualquer interferência externa”, explica Kleber.
Como complemento desse protocolo de segurança, a urna eletrônica permanece isolada de conexões Wi-Fi ou Bluetooth, impossibilitando qualquer acesso remoto indevido.
Para operacionalizar a tecnologia, foi firmado um convênio com a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa, Extensão e Interiorização do Instituto Federal do Amazonas – FAEPI/IFAM para a capacitação técnica dos profissionais em campo. O cronograma de treinamento teve início em 28 de agosto, abrangendo a formação de multiplicadores em Manaus e a capacitação in loco nos municípios, assegurando que o pessoal na ponta esteja plenamente apto a manusear os equipamentos com precisão.
“Cada local de votação, esteja ele onde estiver, faz parte do processo eleitoral. Nosso compromisso é garantir que os votos sejam tratados com a mesma segurança, transparência e respeito em todas as regiões do Amazonas”, destaca a desembargadora Carla Reis.
No Amazonas, os rios são as principais vias de acesso a grande parte dos municípios e comunidades. A operação eleitoral envolve mais de 400 locais de votação instalados em áreas remotas, incluindo comunidades ribeirinhas, localidades isoladas e aldeias indígenas. Entre os locais que mais receberão equipamentos para transmissão estão Parintins (33), São Gabriel da Cachoeira (30), Itacoatiara (16) e Atalaia do Norte (11).
Em muitos desses pontos, funcionam de uma a quatro seções eleitorais. O deslocamento de equipes e equipamentos exige planejamento logístico e, dependendo da localização, pode levar horas ou até dias.
Com a transmissão dos arquivos de votação por meio da conexão via satélite, o TRE-AM reduz a dependência do deslocamento físico dos dados até pontos com infraestrutura de comunicação. Assim, após o encerramento da votação, os arquivos podem ser encaminhados de forma mais rápida para os sistemas responsáveis pela totalização.
“A tecnologia também contribui para a segurança das equipes. Com a possibilidade de transmissão dos dados ainda no local de votação, diminui-se a necessidade de deslocamentos após o encerramento dos trabalhos, inclusive durante a noite, em trechos de rios que podem apresentar riscos à navegação”, finaliza Merklein.