Dia Nacional da Saúde: avanço dos transtornos mentais desafia empresas a fortalecer a prevenção
O recorde de afastamentos por transtornos mentais e os impactos na produtividade colocam a saúde mental no centro das estratégias de gestão de pessoas e reforçam a importância de ambientes de trabalho mais saudáveis
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O Dia Nacional da Saúde, celebrado em 5 de agosto, convida à reflexão sobre um dos principais desafios enfrentados pelas organizações: a saúde mental dos trabalhadores. Em um cenário de recorde de afastamentos por transtornos mentais no Brasil, empresas são chamadas a ir além das campanhas de conscientização e investir em ambientes de trabalho capazes de prevenir o adoecimento, fortalecer o bem-estar e promover relações profissionais mais saudáveis.
Mais de 546 mil brasileiros foram afastados do trabalho por transtornos mentais em 2025, o maior número já registrado no país, segundo dados do Ministério da Previdência Social. O avanço desses casos evidencia que o tema deixou de ser uma preocupação restrita aos profissionais de saúde e passou a ocupar espaço estratégico na gestão das organizações.
A saúde mental deixou de ser apenas uma questão individual para se tornar um desafio para empresas de todos os portes. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que o Brasil apresenta a maior prevalência de transtornos de ansiedade do mundo, com cerca de 9,3% da população afetada. No cenário global, mais de um bilhão de pessoas vivem com transtornos mentais.
Além do impacto na qualidade de vida, a saúde mental também afeta diretamente o mercado de trabalho. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), ansiedade e depressão respondem pela perda de aproximadamente 12 bilhões de dias de trabalho por ano, gerando prejuízos estimados em US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade.
"Durante muito tempo, as empresas concentraram esforços em tratar os casos de adoecimento quando eles já estavam instalados. Hoje, o grande desafio é atuar de forma preventiva, identificando fatores que podem comprometer a saúde mental antes que eles resultem em afastamentos. Cuidar das pessoas não é apenas uma questão de bem-estar, mas uma estratégia que impacta diretamente a produtividade, o engajamento e a sustentabilidade do negócio", afirma o Dr. Marco Bussacarini, médico especialista em Saúde Ocupacional e CEO da Aventus Ocupacional.
Embora os afastamentos sejam o reflexo mais visível do problema, especialistas alertam para outro aspecto que merece atenção: muitos profissionais permanecem trabalhando mesmo diante de sinais de esgotamento emocional, o que pode comprometer a concentração, a capacidade de tomada de decisão, a qualidade das relações entre equipes e o desempenho das organizações.
A Organização Mundial da Saúde destaca que diversos fatores presentes na organização do trabalho podem representar riscos à saúde mental dos trabalhadores. Entre eles estão sobrecarga de atividades, ritmo excessivo de trabalho, jornadas longas ou inflexíveis, baixa autonomia, falta de apoio das lideranças, assédio, violência, discriminação, insegurança no emprego e conflitos entre vida pessoal e profissional.
"Não existe uma solução única para promover a saúde mental no trabalho. O primeiro passo é construir um ambiente em que as pessoas se sintam seguras para falar sobre dificuldades, tenham lideranças preparadas para acolher e encontrem condições adequadas para desempenhar suas funções. A prevenção acontece no dia a dia, por meio de relações de trabalho mais saudáveis, comunicação transparente e acompanhamento contínuo dos fatores que podem gerar sofrimento emocional", destaca o Dr. Marco Bussacarini.
Para os especialistas, investir em saúde mental significa agir antes que o problema resulte em afastamentos. Isso envolve preparar lideranças, fortalecer a comunicação interna, acompanhar indicadores relacionados ao bem-estar dos colaboradores e desenvolver uma cultura organizacional baseada na escuta, no respeito e na promoção da saúde.
O Dia Nacional da Saúde é um convite para ampliar o olhar sobre o bem-estar no ambiente de trabalho. Promover a saúde significa mais do que reduzir indicadores de afastamento, construir relações de trabalho mais equilibradas, fortalecer a confiança entre lideranças e equipes e criar organizações capazes de conciliar desempenho, desenvolvimento humano e qualidade de vida. Afinal, empresas saudáveis são aquelas que entendem que cuidar das pessoas não deve ser uma resposta ao adoecimento, mas um compromisso permanente com quem faz o negócio acontecer.
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