Uma pesquisa inédita realizada pela Casa de Culturas, Cuidado, Convivência e Memórias Viva Zona Oeste revela um retrato importante sobre a economia da cultura na Zona Sudoeste do Rio: mais de 67% das iniciativas culturais da região são financiadas pelos próprios trabalhadores da cultura. Os dados apontam que 36,5% das principais fontes de recursos vêm da venda de produtos e serviços e 31% de recursos próprios dos realizadores culturais. Já o acesso aos recursos públicos (editais, leis de incentivo, etc.) representa apenas 18,3%.
O levantamento faz parte da Pesquisa II Escuta Zona Oeste, desenvolvida pela Viva Zona Oeste, e evidencia os desafios enfrentados por coletivos, artistas, produtores e empreendedores culturais para manter suas atividades em bairros da AP-4, área que engloba 20 bairros oficiais como Barra da Tijuca, Recreio, Jacarepaguá, Cidade de Deus, Taquara, Praça Seca, Vargens, Freguesia, Pechincha, Camorim, Curicica, Vila Valqueire e adjacências. Segundo dados do IBGE, a região reúne uma população estimada em mais de 1,1 milhão de habitantes.
Além da dependência de recursos próprios, os dados também revelam baixa participação de doações e financiamento coletivo (4,8%) e mostram que grande parte da cadeia cultural ainda opera com pouca inserção na construção e acesso de políticas públicas de cultura.
“Os números mostram uma produção cultural potente, mas sustentada principalmente pelo esforço individual dos próprios trabalhadores. Existe criatividade, mobilização e produção acontecendo todos os dias, mas ainda há barreiras históricas no acesso aos recursos públicos”, afirma Vinicius Longo, fundador e coordenador da Viva Zona Oeste.
A pesquisa integra um diagnóstico mais amplo sobre circulação de recursos culturais, acesso a editais, leis de incentivo e participação nas políticas públicas culturais, com recorte específico para as Zonas Oeste e Sudoreste. Segundo a instituição, os dados levantados servirão de base para futuras escutas e incidências na construção de políticas públicas voltadas para territórios periféricos.
“Sem dados, muitos territórios seguem invisíveis e/ou invisibilizados. Nosso objetivo é construir informações que fortaleçam políticas culturais mais justas voltadas para a diminuição das desigualdades, conectadas às realidades locais e integradas a toda cidade”, destaca Fernanda Rocha, fundadora e coordenadora geral da Viva Zona Oeste.
Confira aqui a íntegra da pesquisa na versão digital
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FLAVIA DOMINGUES MENDES
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