Prêmio Dona Jô Clemente – Legado do Saber: três iniciativas inovadoras voltadas à Educação Inclusiva ganham prêmio

Primeira edição do Prêmio Dona Jô Clemente – Legado do Saber reconhece projetos que utilizam tecnologia e inovação para ampliar oportunidades de aprendizagem para estudantes com Deficiência Intelectual e TEA. A premiação total é de R$ 500 mil

Por SARAH ABRãO
6 Min

Prêmio Dona Jô Clemente – Legado do Saber: três iniciativas inovadoras voltadas à Educação Inclusiva ganham
Vencedores do Prêmio Dona Jô Clemente – Legado do Saber (Foto: Divulgação/IJC)

A cerimônia de entrega da 1ª edição do Prêmio Dona Jô Clemente – Legado do Saber aconteceu no dia 18 de junho em São Paulo. Promovida pelo Instituto Jô Clemente (IJC), a premiação celebrou projetos direcionados para a Educação Inclusiva de estudantes com Deficiência Intelectual e Transtorno do Espectro Autista (TEA). O IJC é uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos, que promove saúde, qualidade de vida e inclusão para pessoas com Deficiência Intelectual, Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Doenças Raras.

A iniciativa foi criada para incentivar o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas à Educação Inclusiva e integrou as celebrações pelos 100 anos de Dona Jô Clemente, uma das fundadoras do IJC, e pelos 50 anos da implantação do Teste do Pezinho no Brasil. Durante o evento, realizado no Auditório Joseph Safra, em São Paulo, foram premiadas três iniciativas que contribuem para ampliar o acesso à aprendizagem de crianças e jovens com Deficiência Intelectual e TEA. 

A cerimônia foi mediada pelo jornalista Fabio Turci (à direita), ao lado de Gloria Vanique, madrinha do IJC. Na foto estão membros do Conselho do Instituto e familiares de Dona Jô Clemente.

Ao todo, 17 pré-propostas foram inscritas no edital. Após uma análise inicial, oito iniciativas foram selecionadas para a fase completa de avaliação, etapa em que os candidatos apresentaram informações detalhadas sobre seus projetos. Na sequência, sete equipes participaram de entrevistas com especialistas. Ao final do processo seletivo, três projetos foram contemplados pelo Prêmio Dona Jô Clemente – Legado do Saber e receberão apoio financeiro e acompanhamento técnico do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI-IJC) durante 12 meses.

“O Prêmio Dona Jô Clemente nasce da convicção de que a inovação tecnológica pode e deve estar a serviço da Educação Inclusiva. Mais do que reconhecer boas ideias, queremos impulsionar soluções capazes de gerar impacto real na vida dos estudantes e fortalecer um legado que une ciência, inclusão e transformação social”, destacou Edward Yang, gerente do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI), do IJC.

Iniciativas premiadas: 1º, 2º e 3º lugar

primeiro lugar foi conquistado pelo projeto “EduEdu Inclusivo: todos podem ler e aprender”, liderado por Juliana Postigo Amorina Borges, do Instituto ABCD. 

O EduEdu é uma solução gratuita para estudantes com dificuldades no processo de alfabetização, criada pelo Instituto ABCD. A partir de uma breve avaliação, o EduEdu identifica os temas que a criança precisa melhorar e cria atividades personalizadas para garantir o sucesso escolar. Ao longo do ano, o EduEdu acompanha a evolução da criança, monitorando seu progresso e gerando novas atividades.

“Com a experiência, pudemos perceber que uma estratégia bem pensada para apoiar uma criança que tem dificuldade na alfabetização pode apoiar milhares de crianças. O que eu aprendi é que sempre temos que presumir o potencial e acreditar que as pessoas aprendem. A partir do momento em que acreditamos nisso, o caminho fica muito mais fácil”, destaca Juliana Postigo Amorina Borges, do Instituto ABCD.

A segunda colocação ficou com a Plataforma Mirimim, de Diogo dos Reis Ruiz, do Paraná. 

O Mirimim é uma solução inovadora que alia Inteligência Artificial adaptativa e dinâmicas terapêuticas validadas cientificamente para apoiar o desenvolvimento de crianças neurodivergentes. Já utilizado por profissionais e clínicas especializadas em todos os estados brasileiros, o aplicativo complementa terapias tradicionais ao tornar o aprendizado mais acessível, envolvente e eficaz.

“Quando começamos, não tínhamos ideia de que o projeto se tornaria algo tão grande. O nosso projeto veio de uma necessidade comum, de uma dor de muita gente. Queremos mudar a forma como entendemos inclusão no mundo”, reforça Aline Bernardi, do Projeto Mirimim

O terceiro lugar foi para o projeto “Tecnologia e Capacitação na Inclusão de DI e TEA”, coordenado por Cibelle Albuquerque de la Higuera Amato, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

O projeto propõe o aprimoramento, a validação final e a preparação para disseminação da NeuroTrackEdu, uma plataforma digital educacional acessível voltada à formação docente e ao rastreio de sinais precoces de transtornos do neurodesenvolvimento, com foco em Deficiência Intelectual e TEA na educação infantil. A solução prevê capacitação, instrumentos digitais de rastreio e geração automatizada de relatórios, apoiando professores na identificação de necessidades educacionais. 

“É admirável a trajetória de Dona Jô Clemente. É importante reconhecer a iniciativa e a compreensão dela sobre o viver coletivo da nossa vida, viver por todas as pessoas. Nós buscamos o dia em que nenhuma família precise mudar sua trajetória por falta de acesso ou oportunidades. Que possamos compreender que a inclusão é um papel de todas as pessoas”, ressalta Cibelle Albuquerque, da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Premiação total será de R$ 500 mil; veja os detalhes:

O Instituto Jô Clemente (IJC) investirá R$ 500 mil nas iniciativas selecionadas, sendo R$ 450 mil destinados ao desenvolvimento dos projetos e R$ 50 mil concedidos como reconhecimento ao mérito e à excelência da proposta vencedora.

Cada projeto poderá receber até R$ 150 mil e contará com acompanhamento técnico e estratégico do Centro de Ensino, Pesquisa e Inovação (CEPI) do IJC, ao longo de 12 meses, fortalecendo sua implementação e potencial de impacto.


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SARAH ABRÃO CARDOSO
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