Ação Civil Pública pede bloqueio de bens e rastreamento de ativos ligados à Plimbet; prejuízos já superam R$ 1,13 milhão

Segundo levantamento apresentado à Justiça, já foram identificados pelo menos 35 processos judiciais envolvendo o caso. O número de usuários cadastrados na plataforma ultrapassaria 60 mil pessoas.

Por FERREIRA ANTUNES
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Ação Civil Pública pede bloqueio de bens e rastreamento de ativos ligados à Plimbet; prejuízos já superam R$
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Uma Ação Civil Pública ajuizada na Vara Cível de São José dos Campos (SP) busca a adoção de medidas urgentes para localização e preservação de patrimônio relacionado ao caso Plimbet, plataforma que ficou conhecida nacionalmente após interromper pagamentos e bloquear saques de usuários no final de 2023. Segundo levantamento apresentado à Justiça, já foram identificados pelo menos 35 processos judiciais envolvendo o caso, que somam mais de R$ 1,13 milhão em valores discutidos judicialmente. O número de usuários cadastrados na plataforma ultrapassaria 60 mil pessoas.

A ação requer que a Justiça determine uma série de medidas cautelares destinadas à localização de ativos financeiros e patrimoniais, incluindo bloqueio de contas bancárias, rastreamento de bens, quebra de sigilos bancário e fiscal, identificação de eventuais criptoativos e outras medidas voltadas à preservação de patrimônio durante o andamento do processo.

A iniciativa foi proposta pelo Instituto Social de Proteção e Garantia do Equilíbrio nas Relações de Consumo (IPGE), entidade que atua na defesa coletiva de investidores e consumidores em casos envolvendo fraudes financeiras e relações de consumo. A demanda coletiva conta com o patrocínio do escritório Calazans & Vieira Dias Advogados, escritório conveniado ao instituto e especializado na defesa de vítimas de fraudes financeiras.

Segundo os documentos apresentados na ação, a Plimbet teria captado recursos de milhares de pessoas por meio de um sistema denominado "Plimbot", divulgado como uma ferramenta voltada a operações automatizadas de apostas esportivas. De acordo com a petição inicial, a plataforma prometia retornos periódicos aos participantes, cenário que teria contribuído para a rápida expansão da base de usuários.

O processo sustenta que, após um período de funcionamento, os pagamentos foram interrompidos e os resgates bloqueados, gerando reclamações de investidores em diferentes estados brasileiros e o aumento do número de ações judiciais relacionadas ao caso.

Outro elemento destacado na ação é a realização da chamada Operação Plimbet, conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo em abril de 2026. A investigação resultou no cumprimento de mandados de busca e apreensão e apura possíveis irregularidades relacionadas à operação da plataforma.

Para o advogado Jorge Calazans, especialista na defesa de vítimas de fraudes financeiras, medidas de preservação patrimonial podem ser relevantes em situações que envolvem grande número de investidores.

"Quando surgem relatos repetidos de prejuízos, interrupção de pagamentos e questionamentos sobre a atividade efetivamente desenvolvida por uma operação, a preservação de ativos passa a ter papel relevante. Essas medidas permitem que os fatos sejam investigados com maior profundidade e ajudam a evitar que o patrimônio eventualmente relacionado ao caso desapareça antes da conclusão das apurações", afirma Jorge Calazans.

A ação busca, entre outros pontos, o reconhecimento da nulidade dos contratos firmados, a restituição dos valores aportados pelos investidores, acrescidos de correção monetária e juros, além da responsabilização dos envolvidos, caso as alegações sejam confirmadas ao longo do processo.

A utilização de ações coletivas tem se tornado uma alternativa cada vez mais frequente em situações envolvendo grande número de investidores afetados por uma mesma operação.

Calazans explica que "casos que atingem centenas ou milhares de pessoas normalmente apresentam uma origem comum de fatos, documentos e alegações. A atuação coletiva permite organizar essas informações de forma mais eficiente, reduzindo a fragmentação das discussões e proporcionando uma análise mais ampla do contexto apresentado ao Poder Judiciário.".

O processo está em fase inicial e os pedidos de tutela de urgência ainda dependem de apreciação judicial. O resultado das medidas solicitadas poderá influenciar os próximos desdobramentos relacionados ao caso e ao conjunto de demandas já existentes envolvendo a plataforma.

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CAIO FERREIRA PRATES
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