Fundação Abrinq divulga campanha após Brasil registrar 60 mil notificações de violência sexual infantil no ano passado

A proposta da campanha Pode Ser Abuso é ampliar o conhecimento da sociedade sobre o tema, especialmente por parte de familiares, educadores e profissionais da rede de proteção.

Por SONIA DINIZ
3 Min

Divulgação: Fundação Abrinq

O Brasil registrou 59.887 notificações de violência sexual contra crianças e adolescentes em 2025, segundo dados do Ministério da Saúde. Nos últimos 11 anos, foram 422.994 casos, um aumento de 183,5% no período. Apesar dos números alarmantes, especialistas alertam que a realidade pode ser ainda mais grave, já que muitos episódios permanecem ocultos e não chegam aos sistemas oficiais.
Diante desse cenário e com a proximidade do 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, a Fundação Abrinq lança nova edição da campanha Pode Ser Abuso. A iniciativa busca conscientizar a sociedade sobre comportamentos e sinais, muitas vezes silenciosos, que podem indicar situações de violência sexual contra crianças e adolescentes. Alterações como isolamento, medo repentino, agressividade, queda no rendimento escolar ou reações incomuns diante de determinadas situações podem indicar que algo não vai bem. A proposta da campanha é ampliar o conhecimento da sociedade sobre o tema, especialmente por parte de familiares, educadores e profissionais da rede de proteção. Além disso, a campanha chama a atenção para um alerta cada vez mais urgente: o abuso pode mudar de forma, mas não de gravidade. Com a presença crescente de crianças e adolescentes em ambientes digitais, a violência sexual também se desloca para o meio online, exigindo atenção redobrada. Situações como aliciamento, exposição a conteúdos inadequados, troca de mensagens de cunho sexual e manipulação podem ocorrer sem qualquer contato físico. Ainda assim, produzem impactos profundos no desenvolvimento e na saúde mental das vítimas. Nesse contexto, observar o comportamento continua sendo uma das principais formas de proteção. Mudanças sutis podem ser o primeiro indicativo de que a criança ou adolescente está em situação de risco, inclusive no ambiente digital. A campanha também destaca a importância da escuta ativa e do diálogo. “Criar um ambiente de confiança, no qual crianças e adolescentes se sintam seguros para falar, é um passo necessário para a prevenção e o enfrentamento dessa violência”, afirma Victor Graça, superintendente da Fundação Abrinq.
O site da campanha reúne orientações práticas sobre sinais de alerta e caminhos para agir diante de suspeitas, funcionando como ferramenta de apoio para toda a sociedade. Também é possível fazer download gratuito de guias informativos e conteúdos educativos, voltados a diferentes públicos, incluindo famílias, educadores e empresas.


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FONTE: https://podeserabuso.org.br/