Em um encontro que uniu a tecnologia de ponta ao conhecimento milenar, o projeto Cultura Maker marcou presença histórica na celebração dos povos originários no território do Jaraguá. Durante dois dias intensos em 2025, o projeto conectou-se com as sete Tekoas (aldeias) Guarani locais, transformando o solo que foi o primeiro cenário de expropriação e mineração do Brasil em um espaço de retomada através da ciência ancestral.
O Pico do Jaraguá não é apenas o ponto mais alto de São Paulo; é o marco zero de uma ferida histórica. Foi ali, entre os séculos XVI e XVII, que figuras como Afonso Sardinha estabeleceram o primeiro ciclo de mineração de ouro do país, operado sob a escravização sistemática do povo Guarani. O casarão de taipa, que ainda resiste no sopé do morro, é o testemunho silencioso de onde começou a lógica da expropriação de terras indígenas no Brasil.
A presença do Cultura Maker no Jaraguá não foi um evento isolado, mas a continuidade de uma jornada que começou na Aldeia Maracanã, no Rio de Janeiro. Ao levar suas ferramentas de inovação para o território sagrado de São Paulo, o projeto reafirma que a Cultura Maker não é uma invenção moderna, mas uma herança dos povos originários.
"Estar no Jaraguá é reconhecer que a ciência é, essencialmente, ancestral. Viemos da Aldeia Maracanã para este território sagrado com um propósito claro: conectar a tecnologia do século XXI à sabedoria milenar que já transformava o mundo muito antes da chegada dos colonizadores", destaca José Carlos Vieira Jr, CEO da Drum Brasil.
Durante os dois dias de evento, o Cultura Maker interagiu com os moradores das aldeias Ytu, Pyau, Ita Wera, Itakupe, Ita Edy, Yvy Porã e a nova formação local, reforçando que a ciência e a tecnologia estão a serviço da preservação da vida e da memória.
A participação focou em mostrar que o "fazer" — pilar do movimento maker — é a base da sobrevivência e da resistência Guarani. Onde outrora se extraiu ouro através do sangue,
hoje o Cultura Maker e as comunidades originárias semeiam o letramento tecnológico e a valorização da identidade.
A Drum Brasil celebra o sucesso dessa intervenção em 2025, servindo como registro oficial de que a inovação só faz sentido quando respeita e aprende com quem chegou primeiro. O Cultura Maker segue sua missão de desmistificar a tecnologia, provando que as ferramentas digitais são, agora, novas armas na defesa dos territórios e das subjetividades indígenas.
Iniciativa da Drum Brasil, o projeto capacita jovens da periferia em robótica, tecnologia sustentável e gestão de redes sociais. O foco é o empoderamento feminino através da cultura maker e do conceito de ESG, preparando-as para as carreiras do futuro e para o protagonismo na economia digital. O Cultura Maker 2025 é patrocinado pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, Secretaria Municipal de Cultura, incentivado pela Viridien, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura - Lei do ISS.
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ALEX YAN DA COSTA MENDES
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