A fé mudou: brasileiros estão abandonando a religião, mas não a espiritualidade

89% da população afirma acreditar em Deus ou em um poder maior, segundo a Ipsos

Por GEOVANNA VEIGA | ASSESSORA DE IMPRENSA - IMAGE 360 | (11) 91972-8220
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A fé mudou: brasileiros estão abandonando a religião, mas não a espiritualidade
Crédito: Divulgação/Freepik.
 

O Brasil pode estar menos religioso, mas não menos espiritual. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que 9,3% dos brasileiros se declaram sem religião, número que cresceu nas últimas décadas. Ao mesmo tempo, a fé segue presente: 89% da população afirma acreditar em Deus ou em um poder maior, segundo o levantamento Ipsos Happiness Report 2026. 

O cenário aponta não para um afastamento do sagrado, mas para uma mudança na forma como ele é vivido, cada vez mais fora das estruturas institucionais. Para Saulo Nardelli, autor contemporâneo e estudioso da espiritualidade aplicada ao desenvolvimento humano, o fenômeno reflete uma mudança mais profunda na relação das pessoas com o sagrado. 

Para Saulo, esse movimento não representa uma negação das religiões, mas um amadurecimento da forma de viver. Ele reconhece que as tradições religiosas tiveram e ainda têm um papel importante na formação espiritual da humanidade, mas aponta que cresce a necessidade de uma experiência mais direta, uma conexão com a fonte que não depende de intermediários.

“O que está acontecendo não é o fim da fé, mas uma mudança de consciência. As pessoas estão percebendo que a experiência espiritual não precisa estar condicionada a uma instituição. Existe um movimento de retorno ao essencial, ao que é vivido e sentido”, afirma. Segundo ele, esse processo acompanha um contexto de maior questionamento dos modelos tradicionais e amplia a autonomia individual na construção da própria experiência espiritual.

A pesquisa Ipsos mostra ainda que, entre os brasileiros que se declaram felizes, 22% apontam a fé ou a vida espiritual como principal motor, o maior índice entre os países pesquisados.

“Nesse cenário, a espiritualidade deixa de ser entendida como algo separado da vida e passa a integrar o cotidiano, com impacto direto nas decisões, nas relações e na forma como o indivíduo interpreta a própria existência. Em vez de se restringir a momentos específicos, ela se expressa na maneira como as pessoas lidam com desafios e atribuem sentido à própria trajetória. O que antes era visto como algo distante passa a se revelar na forma como se escolhe, como se trabalha e como se sustenta a própria verdade no dia a dia. Ao mesmo tempo, cresce uma visão mais crítica sobre práticas superficiais, o que reforça a importância de uma vivência consistente e alinhada à realidade”, acrescenta.

Segundo ele, grande parte do sofrimento humano nasce da sensação de separação, de si, do outro e da própria vida, e a espiritualidade surge como um caminho de reconexão com essa unidade essencial. “O ser humano sofre e nem sabe que sofre.”

Segundo Saulo, esse é um dos principais desafios da espiritualidade contemporânea. “Existe uma diferença entre buscar respostas e buscar experiências. Hoje muitas pessoas ainda buscam fenômenos, experiências que as façam sentir algo diferente, mas evitam sustentar as mudanças reais que isso exige na própria vida. Quando a espiritualidade vira algo superficial, ela perde profundidade. O caminho mais consistente é aquele que se sustenta na realidade, nas escolhas e nas relações, como sempre digo tá na hora de descer a montanha”, diz. Para ele, o amadurecimento dessa busca exige abandonar a lógica de soluções rápidas e desenvolver uma relação mais profunda com o próprio processo, em que a espiritualidade se traduz em prática.

Essa abordagem está presente no livro “As 4 Chaves do Cristo”, que será lançado em junho pela Editora Gente. Na obra, Saulo propõe uma reflexão sobre espiritualidade sem dogmas e centrada na experiência direta — em sintonia com um momento em que a fé permanece, mas se torna cada vez mais individual, flexível e conectada à vida cotidiana.

Sobre Saulo Nardelli
 

Saulo Nardelli é autor e fundador da Sangha Platina Solaris e da The Golden Walk Foundation, iniciativas voltadas à integração entre consciência, bem-estar emocional e impacto social. Sua atuação reúne espiritualidade aplicada, desenvolvimento humano e reflexão sobre identidade na vida contemporânea. Desde 2017, seus programas e ações comunitárias já impactaram mais de 160 mil pessoas no Brasil e no exterior por meio de práticas de bem-estar, apoio emocional e projetos voluntários. Em 2023, passou a integrar o Board Consultivo em Cura Social da Cátedra UNESCO de Sustentabilidade (UNESCO-SOST), vinculada à Universitat Politècnica de Catalunya. Em 2026, lança pela Editora Gente o livro “As 4 Chaves do Cristo”, obra que propõe uma reflexão sobre identidade, silêncio interior e o desafio de encontrar sentido em uma sociedade marcada por pressão e desempenho.




 

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