Sociedade e equidade em 2026: o tempo das mudança
*por Guibson Trindade
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2026 é ano político e, por isso mesmo, um tempo de escolhas capazes de redefinir o rumo social e econômico do país. A Pesquisa Ethos/Época de Diversidade, Equidade e Inclusão mostra que, em 2024, 204 empresas participaram do levantamento e 80% delas já enxergam diversidade como estratégia para melhorar resultados de negócios, não apenas como pauta reputacional. Esse movimento sinaliza um consenso: diversidade, equidade e inclusão (DEI) deixam de ser acessórios e passam a integrar o centro da governança corporativa.
Esse avanço convive com uma realidade conhecida: negros representam 56,1% da população em idade de trabalhar, mas são 65,1% dos desocupados, e as mulheres negras enfrentam taxas de desemprego superiores à média nacional. Em 2024, dados oficiais seguem apontando que mulheres negras recebem pouco mais da metade do rendimento de homens brancos em funções equivalentes, o que escancara como raça e gênero continuam estruturando o mercado de trabalho no Brasil. Em um ano de debates eleitorais, ignorar esses números é também uma escolha política.
A resposta não veio apenas dos indicadores, mas do protagonismo de uma geração de lideranças negras que articula teoria, ativismo e gestão. Djamila Ribeiro, com sua reflexão sobre lugar de fala e responsabilidade social, contribui para que empresas compreendam que inclusão efetiva exige relações de poder mais simétricas. Tarciana Medeiros, ao assumir a presidência de um dos maiores bancos do país, materializa a ruptura de um teto histórico e mostra que representatividade no topo é também uma decisão estratégica. Wania Sant’Anna, com décadas de atuação no movimento feminista negro, lembra que equidade se constrói na combinação entre desenho institucional e compromisso político contínuo.
Nas empresas, isso se traduz na incorporação de indicadores raciais e de gênero ao mesmo nível de rigor aplicado a metas financeiras. As doze frentes avaliadas pela pesquisa Ethos/Época que incluem governança, cadeia de suprimentos, equidade racial e de gênero, direitos LGBTI+ e equidade geracional ajudam a organizar a gestão de DEI como matriz estratégica, e não como coleção de iniciativas isoladas. Relatórios ESG deixam de ser vitrines de boas intenções e passam a espelhar compromissos mensuráveis de contratação, promoção, remuneração e ambiente inclusivo.
Mais do que cumprir cotas, trata-se de alinhar governança, propósito e impacto social. O investimento social privado começa a se orientar por dados demográficos e análises de impacto racial, priorizando territórios e públicos historicamente sub-representados. Fundações e institutos empresariais passam a operar como laboratórios de inovação pública, testando soluções baseadas em evidências para enfrentar as desigualdades estruturais que as estatísticas escancaram.
Em 2026, olhar para os indicadores de equidade é olhar para a qualidade da própria democracia. A prosperidade deixa de ser medida apenas pelo PIB ou pelo lucro trimestral e passa a incluir a capacidade de gerar oportunidades dignas para a população negra, em especial para as mulheres negras que sustentam famílias, territórios e cadeias produtivas inteiras. Em um país que se pretende competitivo e inovador, naturalizar que mais da metade da população siga nos piores postos e rendimentos é também comprometer o futuro econômico.
No país com a maior população negra fora da África, construir equidade é construir um projeto de nação. Em ano eleitoral, a sociedade civil, o setor privado e o Estado são chamados a escolher se a retórica da diversidade continuará sendo um enfeite ou se, de fato, orientará decisões orçamentárias, regulatórias e empresariais. É tempo de escolhas conscientes. É tempo de mudanças verdadeiramente transformadoras.
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STEFANY IANCA OLIVEIRA DA SILVA
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