Adenomiose: com alta de 73% nos diagnósticos pelo SUS, Projeto de Lei 850/25 propõe diretrizes para tratamento integral

Enquanto a Câmara analisa a classificação da doença para fins de auxílio-doença e aposentadoria, especialistas detalham o uso de técnicas como radiofrequência e robótica na preservação do útero.

OLIVER PRESS
24/02/2026 09h58 - Atualizado há 1 semana

Adenomiose: com alta de 73% nos diagnósticos pelo SUS, Projeto de Lei 850/25 propõe diretrizes para
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A gestão da adenomiose no Brasil passa por uma reestruturação em 2026, marcada pelo avanço do Projeto de Lei 850/25 e pela consolidação de dados de atendimento público. Segundo o Ministério da Saúde, os procedimentos ambulatoriais para a condição no SUS registraram um crescimento de 73% nos últimos anos, refletindo uma maior detecção da doença. Diante da proposta legislativa que visa garantir o atendimento multidisciplinar e direitos previdenciários para pacientes incapacitadas pela dor, a medicina oferece diferentes protocolos que vão além da histerectomia. Entre as opções terapêuticas atuais estão métodos minimamente invasivos, como a ablação por radiofrequência e a cirurgia robótica, que permitem o controle dos sintomas e a manutenção da autonomia reprodutiva.

A adenomiose é uma doença em que o tecido endometrial cresce dentro das paredes musculares do útero, causando dor e problemas de fertilidade. A descoberta de um diagnóstico de adenomiose já é responsável por gerar uma série de emoções, e a possibilidade de um procedimento cirúrgico pode intensificar a ansiedade e a insegurança em muitas mulheres.

Essa incerteza em torno da intervenção cirúrgica pode criar um ambiente de apreensão, principalmente quando se considera os desafios físicos e emocionais associados ao tratamento da adenomiose. Muitas mulheres, ao se depararem com essa possibilidade, enfrentam dilemas e preocupações sobre o impacto da cirurgia em suas vidas, desde a recuperação física até as implicações emocionais associadas à decisão de passar por um procedimento invasivo.

A abordagem terapêutica para a adenomiose pode variar, e nem todas as mulheres diagnosticadas precisam passar por uma cirurgia. De acordo com o médico ginecologista Dr. Thiers Soares, especialista em adenomiose, métodos menos invasivos, como terapias medicamentosas e outros procedimentos, também podem ser considerados, mas isso vai depender da gravidade dos sintomas e das necessidades individuais da paciente. São eles:

  • Medicamentos para Alívio Sintomático - se os sintomas da adenomiose forem de leves a moderados, a abordagem inicial pode envolver medicamentos, como anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), prescritos pelo médico. Embora esses medicamentos ajudem a aliviar a dor e reduzir o sangramento, é importante observar que eles não tratam a condição em sua totalidade;
     
  • Terapia Hormonal para Controle dos Sintomas - terapias hormonais oferecem alternativas eficazes para controlar os sintomas da adenomiose. Dispositivos intrauterinos liberadores de levonorgestrel (DIU-LNG), medicamentos hormonais combinados (estrogênio + progesterona) ou progesterona isolada são opções que ajudam a controlar o crescimento excessivo do tecido endometrial, contribuindo para o alívio dos sintomas;
     
  • Abordagens Complementares para Melhorar a Qualidade de Vida - além dos tratamentos médicos convencionais, outras opções, como fisioterapia, acupuntura e uma dieta anti-inflamatória podem ser exploradas para melhorar a qualidade de vida das pacientes com adenomiose. Essas abordagens complementares podem ser associadas para oferecer um tratamento mais completo para essa condição.

Ao optar por uma cirurgia para tratar a adenomiose, os procedimentos minimamente invasivos são as opções mais inovadoras e eficazes. A retirada cirúrgica da adenomiose, especialmente por meio da via robótica, se destaca como uma abordagem cirúrgica avançada, pois proporciona benefícios como menor tempo de recuperação e menor impacto nos tecidos circundantes.

Já a ablação por radiofrequência é uma técnica inovadora, que oferece uma alternativa de tratamento ao destruir termicamente a adenomiose. É essencial destacar, no entanto, que esses procedimentos cirúrgicos reduzem parcialmente a adenomiose, já que traz alívio dos sintomas e melhora a qualidade de vida, mas a cura definitiva só é alcançada com a retirada do útero, conhecida como histerectomia.

A escolha entre as opções cirúrgicas deve ser cuidadosamente discutida e considerada em colaboração com o médico, que deve levar em consideração as necessidades específicas de cada paciente. A decisão deve refletir não apenas a eficácia clínica, mas também os objetivos reprodutivos, as preferências individuais e o impacto potencial na qualidade de vida da mulher afetada pela adenomiose.

Sobre o Dr. Thiers Soares

Doctor Honoris Causa pela Universidade Victor Babes/Romênia, Dr. Thiers Soaresgraduado em Medicina pela Fundação Universitária Serra dos Órgãos (2001), é ginecologista especialista em doenças como Endometriose, Adenomiose e Miomas. Também é médico do setor de endoscopia ginecológica (Laparoscopia, Robótica e Histeroscopia) do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ). O especialista é membro honorário da Sociedade Romena de Cirurgia Minimamente Invasiva em Ginecologia, membro honorário da Sociedade Búlgara de Cirurgia Minimamente Invasiva, membro honorário da Sociedade Romeno-Germânica de Ginecologia e Obstetrícia e membro da diretoria e comitês de duas das maiores sociedades mundiais em cirurgia minimamente invasiva em ginecologia (SLS  e AAGL). O Dr. Thiers Soares foi um dos responsáveis por trazer para o Brasil a técnica de Ablação por Radiofrequência dos Miomas Uterino, um tratamento moderno e eficaz, que causa a destruição térmica de tumores uterino

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STEFANY IANCA OLIVEIRA DA SILVA
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