A Itália vem enfrentando uma escassez crescente de médicos nos últimos anos e, para suprir a falta de profissionais, hospitais públicos e privados têm intensificado o recrutamento internacional, com foco especial em médicos brasileiros.
A médica brasileira Gabriela Rotili, que atua na Itália desde 2021 e acompanha de perto a migração profissional, explica que o problema é profundo e não será resolvido rapidamente.
"A Itália vive uma necessidade real de médicos e isso abre oportunidades concretas para os brasileiros. O déficit não é pontual, é estrutural, e os hospitais precisam de profissionais preparados e dispostos a construir carreira aqui", afirma.
Segundo levantamento da GIMBE Foundation, mais de 5.500 vagas para médicos da atenção primária seguem em aberto em 2025. A situação tende a se agravar, já que mais de 7.300 profissionais devem se aposentar até 2027.
Para atrair estrangeiros, há ofertas que chegam a 7 mil euros mensais, cerca de 45 mil reais, além de moradia, passagem aérea e suporte para adaptação ao idioma. A flexibilização nas regras de atuação profissional através do Decreto Legge Milleprorroghe, que permite esses profissionais atuarem enquanto fazem o processo de reconhecimento do diploma, também tem facilitado a entrada de profissionais formados fora da União Europeia.
Esse conjunto de fatores impulsiona um crescimento expressivo na procura de brasileiros pela revalidação europeia. O movimento ganhou força em 2024 e 2025 e deve se intensificar em 2026, segundo projeções da DNN Learning, empresa dirigida por Gabriela e especializada em orientar e conduzir médicos nesse processo de certificação internacional.
Além dos salários, o que mais chama a atenção dos profissionais brasileiros é a previsibilidade da carreira na Itália. O respeito às cargas horárias, a organização dos plantões e a qualidade de vida para o médico e sua família têm sido fatores decisivos na mudança de país.
"Há um movimento consistente de médicos querendo entender o passo a passo para revalidar o diploma e trabalhar legalmente na Europa. Eles querem clareza, segurança e um caminho confiável”, reforça Gabriela.
Para muitos brasileiros, o momento representa uma oportunidade rara em um contexto global de escassez de profissionais de saúde.
"Trabalhar em um país que valoriza sua formação, oferece estabilidade contratual e remuneração competitiva, além de garantir maior qualidade de vida, tem sido decisivo para quem escolhe a Itália", finaliza.
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THAISE VANESSA GUIDINI
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